Ontem no entanto perdi durante horas e horas a minha montagem humana. Se tiver coragem, eu me deixarei continuar perdida. Mas tenho medo do que é novo e tenho medo de viver o que não entendo - quero sempre ter a garantia de pelo menos estar pensando que entendo, não sei me entregar à desorientação. Como é que se explica que o meu maior medo seja exatamente em relação: a ser? e no entanto não há outro caminho. Como se explica que o meu maior medo seja exatamente o de ir vivendo o que for sendo? como é que se explica que eu não tolere ver, só porque a vida não é o que eu pensava e sim outra - como se antes eu tivesse sabido o que era! Porque é que ver é uma tal desorganização?
E uma desilsão. Mas desilusão de quê? se, sem ao menos sentir, eu mal devia estar tolerando minha organização apenas construída? Talvez desilusão seja o medo de não pertencer mais a um sistema. No entanto se deveria dizer assim: ele está muito feliz porque finalmente foi desiludido. O que eu era antes não me era bom. Mas era desse não-bom que eu havia organizado o melhor: a esperança. De meu próprio mal eu havia criado um bem futuro. O medo agora é que meu novo modo não faça sentido? Mas por que não me deixo guiar pelo que for acontecendo? Terei que correr o sagrado risco do acaso. E substituirei o destino pela probabilidade.
Clarice Lispector, A Paixão Segundo G.H., texto original pág. 9.
sexta-feira, 30 de julho de 2010
sexta-feira, 23 de julho de 2010
Sou um animal sentimental
Me apego facilmente ao que desperta meu desejo
Tente me obrigar a fazer o que não quero
E você vai logo ver o que acontece.
Acho que entendo o que você quis me dizer
Mas existem outras coisas.
Consegui meu equilíbrio cortejando a insanidade,
Tudo está perdido mas existem possibilidades.
Tínhamos a idéia, mas você mudou os planos
Tínhamos um plano, você mudou de idéia
Já passou, já passou - quem sabe outro dia.
Poemas Perdidos.
Me apego facilmente ao que desperta meu desejo
Tente me obrigar a fazer o que não quero
E você vai logo ver o que acontece.
Acho que entendo o que você quis me dizer
Mas existem outras coisas.
Consegui meu equilíbrio cortejando a insanidade,
Tudo está perdido mas existem possibilidades.
Tínhamos a idéia, mas você mudou os planos
Tínhamos um plano, você mudou de idéia
Já passou, já passou - quem sabe outro dia.
Poemas Perdidos.
quinta-feira, 22 de julho de 2010
Tanto
Coveiros gemem tristes ais
E realejos ancestrais juram que
Eu não devia mais querer você
Os sinos e os clarins rachados
Zombando tão desafinados
Querem,eu sei,mas é pecado
Eu te perder
É tanto,é tanto
Se ao menos você soubesse
Te quero tanto
Políticos embriagados
Dançando em guetos arruinados
E os profetas desacordados
A te ouvir
Eu sei que eles vem tomar meu
Drinque em meu copo a trincar
E me pedir pra te deixar partir
É tanto,é tanto
Se ao menos você soubesse
Te quero tanto
Todos meus pais querem me dar
Amor que há tempos não está lá
E suas filhas vão me deixar
Por isso não me preocupar
Eu voltei pra minha sina
Contei pra uma menina
Meu medo só termina estando ali
Ela é suave assim
E sabe quase tudo de mim
Ela sabe onde eu
Queria estar enfim
É tanto, é tanto
Se ao menos você soubesse
Te quero tanto
Mas seu dândi vai
De paletó chinês
Falou comigo mais de uma vez
Não, eu sei, não fui muito cortês
Com ele,não
Isso, porque ele mentiu, porque
Te ganhou e partiu
Porque o tempo consentiu
Ou se não porque
É tanto, é tanto
Se ao menos você soubesse
Te quero tanto
É tanto
Se ao menos você soubesse
Te quero tanto
Skank, Tanto, 1998
E realejos ancestrais juram que
Eu não devia mais querer você
Os sinos e os clarins rachados
Zombando tão desafinados
Querem,eu sei,mas é pecado
Eu te perder
É tanto,é tanto
Se ao menos você soubesse
Te quero tanto
Políticos embriagados
Dançando em guetos arruinados
E os profetas desacordados
A te ouvir
Eu sei que eles vem tomar meu
Drinque em meu copo a trincar
E me pedir pra te deixar partir
É tanto,é tanto
Se ao menos você soubesse
Te quero tanto
Todos meus pais querem me dar
Amor que há tempos não está lá
E suas filhas vão me deixar
Por isso não me preocupar
Eu voltei pra minha sina
Contei pra uma menina
Meu medo só termina estando ali
Ela é suave assim
E sabe quase tudo de mim
Ela sabe onde eu
Queria estar enfim
É tanto, é tanto
Se ao menos você soubesse
Te quero tanto
Mas seu dândi vai
De paletó chinês
Falou comigo mais de uma vez
Não, eu sei, não fui muito cortês
Com ele,não
Isso, porque ele mentiu, porque
Te ganhou e partiu
Porque o tempo consentiu
Ou se não porque
É tanto, é tanto
Se ao menos você soubesse
Te quero tanto
É tanto
Se ao menos você soubesse
Te quero tanto
Skank, Tanto, 1998
Borboletas.
As pessoas não se precisam, elas se completam.
Não por serem metades, mas por serem inteiras,
Dispostas a dividir objetivos comuns, alegrias e vida.
Com o tempo,
Você vai percebendo que para ser feliz com a outra pessoa,
Você precisa em primeiro lugar, não precisar dela.
Percebe também que aquela pessoa que você ama (ou acha que ama) e que não quer nada com você, definitivamente, não é o homem ou a mulher de sua vida.
Você aprende a gostar de você,
A cuidar de você,
E principalmente a gostar de quem gosta de você.
O segredo é não cuidar das borboletas e sim cuidar do jardim para que elas venham até você.
No final das contas, você vai achar
Não quem você estava procurando, mas quem estava procurando por você!
Mário Quintana
Não por serem metades, mas por serem inteiras,
Dispostas a dividir objetivos comuns, alegrias e vida.
Com o tempo,
Você vai percebendo que para ser feliz com a outra pessoa,
Você precisa em primeiro lugar, não precisar dela.
Percebe também que aquela pessoa que você ama (ou acha que ama) e que não quer nada com você, definitivamente, não é o homem ou a mulher de sua vida.
Você aprende a gostar de você,
A cuidar de você,
E principalmente a gostar de quem gosta de você.
O segredo é não cuidar das borboletas e sim cuidar do jardim para que elas venham até você.
No final das contas, você vai achar
Não quem você estava procurando, mas quem estava procurando por você!
Mário Quintana
É magoa!
É mágoa
Já vou dizendo de antemão
Se eu encontrar com você
Tô com três pedras na mão
Eu só queria distância da nossa distância
Saí por aí procurando uma contramão
Acabei chegando na sua rua
Na dúvida qual era a sua janela
Lembrei que era pra cada um ficar na sua
Mas é que até a minha solidão tava na dela
Atirei uma pedra na sua janela
E logo correndo me arrependi
Foi o medo de te acertar
Mas era pra te acertar
E disso eu quase me esqueci
Atirei outra pedra na sua janela
Uma que não fez o menor ruído
Não quebrou, não rachou, não deu em nada
E eu pensei: talvez você tenha me esquecido
Eu só não consegui foi te acertar o coração
Porque eu já era o alvo de tanto que eu tinha sofrido
Aí nem precisava mais de pedra
Minha raiva quase transpassa a espessura do seu vidro
É mágoa
O que eu choro é água com sal
Se der um vento é maremoto
Se eu for embora não sou mais eu
Água de torneira não volta
E eu vou embora
(Adeus)
Ana Carolina, É Magoa!, 2006.
Já vou dizendo de antemão
Se eu encontrar com você
Tô com três pedras na mão
Eu só queria distância da nossa distância
Saí por aí procurando uma contramão
Acabei chegando na sua rua
Na dúvida qual era a sua janela
Lembrei que era pra cada um ficar na sua
Mas é que até a minha solidão tava na dela
Atirei uma pedra na sua janela
E logo correndo me arrependi
Foi o medo de te acertar
Mas era pra te acertar
E disso eu quase me esqueci
Atirei outra pedra na sua janela
Uma que não fez o menor ruído
Não quebrou, não rachou, não deu em nada
E eu pensei: talvez você tenha me esquecido
Eu só não consegui foi te acertar o coração
Porque eu já era o alvo de tanto que eu tinha sofrido
Aí nem precisava mais de pedra
Minha raiva quase transpassa a espessura do seu vidro
É mágoa
O que eu choro é água com sal
Se der um vento é maremoto
Se eu for embora não sou mais eu
Água de torneira não volta
E eu vou embora
(Adeus)
Ana Carolina, É Magoa!, 2006.
sábado, 17 de julho de 2010
Ficar triste é um sentimento tão legitimo quanto a alegria. Reclamar do tédio é fácil, dificil é levantar da cadeira pra fazer alguma coisa que nunca fez. Queria não me sentir tão responsável com o que acontece ao meu redor. Felicidade é a combinação de sorte com escolhas bem feitas. Pessoas com vida interessante interessam por gente que é o oposto delas. Emoção nenhuma é banal se for autentica, dar certo não esta relacionado ao ponto de chegada mais ao durante. O prazer está na invenção da propria alegria, porque é do erro que surge novas soluções, os dezacertos nos movimentam, nos humanizam, nos aproximam dos outros.
Clarice Lispector, Um Sopro de Vida, pág. 51.
Clarice Lispector, Um Sopro de Vida, pág. 51.
quinta-feira, 8 de julho de 2010
Sintaxe à Vontade
Sem horas e sem dores
Respeitável público pagão
A partir de sempre
Toda cura pertence a nós
Toda resposta e dúvida
Todo sujeito é livre para conjugar o verbo que quiser
Todo verbo é livre para ser direto e indireto
Nenhum predicado será prejudicado
Nem tampouco a vírgula, nem a crase nem a frase e ponto final!
Afinal, a má gramática da vida nos põe entre pausas, entre vírgulas
E estar entre vírgulas pode ser aposto
E eu aposto o oposto que vou cativar a todos
Sendo apenas um sujeito simples
Um sujeito e sua oração
Sua pressa e sua verdade, sua fé
Que a regência da paz sirva a todos nós... cegos ou não
Que enxerguemos o fato
De termos acessórios para nossa oração
Separados ou adjuntos, nominais ou não
Façamos parte do contexto da crônica
E de todas as capas de edição especial
Sejamos também o anúncio da contra-capa
Mas ser a capa e ser contra-capa
É a beleza da contradição
É negar a si mesmo
E negar a si mesmo
Pode ser também encontrar-se com Deus
Com o teu Deus
Sem horas e sem dores
Que nesse encontro que acontece agora
Cada um possa se encontrar no outro
Até porque!
Tem horas que a gente se pergunta...
Por que é que não se junta
Tudo numa coisa só?
O Teatro Mágico
Respeitável público pagão
A partir de sempre
Toda cura pertence a nós
Toda resposta e dúvida
Todo sujeito é livre para conjugar o verbo que quiser
Todo verbo é livre para ser direto e indireto
Nenhum predicado será prejudicado
Nem tampouco a vírgula, nem a crase nem a frase e ponto final!
Afinal, a má gramática da vida nos põe entre pausas, entre vírgulas
E estar entre vírgulas pode ser aposto
E eu aposto o oposto que vou cativar a todos
Sendo apenas um sujeito simples
Um sujeito e sua oração
Sua pressa e sua verdade, sua fé
Que a regência da paz sirva a todos nós... cegos ou não
Que enxerguemos o fato
De termos acessórios para nossa oração
Separados ou adjuntos, nominais ou não
Façamos parte do contexto da crônica
E de todas as capas de edição especial
Sejamos também o anúncio da contra-capa
Mas ser a capa e ser contra-capa
É a beleza da contradição
É negar a si mesmo
E negar a si mesmo
Pode ser também encontrar-se com Deus
Com o teu Deus
Sem horas e sem dores
Que nesse encontro que acontece agora
Cada um possa se encontrar no outro
Até porque!
Tem horas que a gente se pergunta...
Por que é que não se junta
Tudo numa coisa só?
O Teatro Mágico
Viver de Poesia
O que me dá gosto é saber que o tempo não volta.
Amanhã e depois de amanhã nunca mais serei eu.
Poetas são sábios de segundos. Não sobrevivem
para ver o poema crescer.
O meu consolo é que o amanhã acordará de nuvens
carregadas de antigas paixões.
Talvez eu morra de saudade mas, sinceramente, eu
prefiro morrer de poesia.
Sim, é preciso morrer de poesia e viver um poema
a cada dia.
Quem vive um poema a cada dia sabe o encanto de
um nascer do sol, e sabe que o amanhã pode trazer
todas as cores da estação, ou não.
Quem vive um poema a cada dia sabe que na poesia
existe um segundo escondido no espaço do tempo.
A gente chama isso de esperança.
Nathan de Castro
Amanhã e depois de amanhã nunca mais serei eu.
Poetas são sábios de segundos. Não sobrevivem
para ver o poema crescer.
O meu consolo é que o amanhã acordará de nuvens
carregadas de antigas paixões.
Talvez eu morra de saudade mas, sinceramente, eu
prefiro morrer de poesia.
Sim, é preciso morrer de poesia e viver um poema
a cada dia.
Quem vive um poema a cada dia sabe o encanto de
um nascer do sol, e sabe que o amanhã pode trazer
todas as cores da estação, ou não.
Quem vive um poema a cada dia sabe que na poesia
existe um segundo escondido no espaço do tempo.
A gente chama isso de esperança.
Nathan de Castro
Confissão
Que esta minha paz e este meu amado silêncio
Não iludam a ninguém
Não é a paz de uma cidade bombardeada e deserta
Nem tampouco a paz compulsória dos cemitérios
Acho-me relativamente feliz
Porque nada de exterior me acontece
Mas,
Em mim, na minha alma,
Pressinto que vou ter um terremoto!
Mario Quintana
Não iludam a ninguém
Não é a paz de uma cidade bombardeada e deserta
Nem tampouco a paz compulsória dos cemitérios
Acho-me relativamente feliz
Porque nada de exterior me acontece
Mas,
Em mim, na minha alma,
Pressinto que vou ter um terremoto!
Mario Quintana
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