terça-feira, 30 de novembro de 2010

Nada é pouco quando o mundo é meu.
Essa inquietude é o sentimento que eu mais odeio. E eu sei o porque dessa visita, mas eu prometi: de novo nunca mais. Aprendi a sair mais cedo, não sem dor.
De jeito nenhum que a subjetividade de ninguém vai tentar me provar de um 'eu' nada bom que nem sequer existe. E se quiserem acreditar: façam-o a vontade! Mas nem tentem me provar de nada, porque eu já tenho pedras na mão.
Sinto que as pessoas se perdem quando pensam na felicidade como um destino. Estamos sempre pensando que um dia seremos felizes. Teremos aquele carro ou aquele emprego ou a pessoa de nossas vidas que vai resolver tudo. Mas a felicidade é um estado. É uma condição, não um destino. É como estar cansado ou com fome. Não é permanente. Isso vai e volta e está tudo certo. Sinto que se as pessoas pensassem isso dessa forma, elas encontrariam a felicidade muito mais vezes. Felicidade é um estado, e não um destino.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Sim, afligia muito querer e não ter. Ou não querer e ter. Ou não querer e não ter. Ou querer e ter. Ou qualquer outra enfim dessas combinações entre os quereres e os teres de cada um, afligia tanto.

Morangos Mofados, Caio Fernando Abreu.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Sim, é verdade, estou feliz. Mas isso não significa que não deva ohar pros lados e que precise acordar todo dia à mesma hora.
Sim, a princípio, nada me falta. Mas não preciso viver em função disso, deixar de querer um pouco mais e trocar os meus desejos por outros que não lembro agora.
Sim, que me conste: eu estou bem. Mas o espelho não é o mesmo todo dia, já não gosto tanto assim dos meus desenhos e hoje não vou comprar morangos, e sim abacates, uvas e amoras.
Sim, pra que negar? Estou alegre. Mas não vou me conformar com calmantes, nem me embriagar de satisfação. Não quero a morte lenta, exijo a renovação.
A mim a santa paz não devora.


Poesia Reunida, Martha Medeiros.

domingo, 14 de novembro de 2010

E assim é que eu me torturo, pouco a pouco. Preso pelo que eu tenho e não quero. Preso pelo que eu não tinha e queria ter. Ambos, a mesma coisa.

sábado, 13 de novembro de 2010

Nas questões humanas, sabemos que "aquele que hesita está perdido", cientistas sociais falam de dissonância cognitiva", que o criador da expressão, Leon Festinger, definiu como a sensação de desconforto que sentimos ao tentar defender simultaneamente duas idéias contraditórias e a ânsia de reduzir a dissonância pela modificação ou rejeição de uma das idéias. Ela opera quando escolhemos entre objetos quase iguais e, tendo escolhido, atribuímos à nossa escolha uma grande vantagem em relação à alternativa, para que possamos ter o prazer de rejeitá-la. O processo de decisão deve fazer parte de nossa herança genética; precisamos dessa certeza nas transações humanas.

Gaia: Alerta Final, James Loverlock, pág. 52, obra original.

Que não se faça mais confusão entre dissonância cognitiva e hipocrisia generalizada.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Sarcasmo é uma arte.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Deus[...] Faça com que eu possa falar com este vazio tremendo e receber como resposta o amor materno que nutre e embala. Faça com que eu tenha a coragem de Te amar, sem odiar as tuas ofensas à minha alma e ao meu corpo. Faça com que a solidão não me destrua. Faça com que minha solidão me sirva de companhia. Faça com que eu tenha a coragem de me enfrentar. Faça com que eu saiba ficar com o nada e mesmo assim me sentir como se estivesse pleno de tudo.
Receba em teus braços o meu pecado de pensar.
Vivo agonizando.
Oh salve-se quem puder porque para todas as horas é sempre chegada a hora. Cada instante é salve-se quem puder.
Ninguém descansa em cadeira de dentista.


Um Sopro de Vida, Clarice Lispector, pág. 152, Ed. Rocco.

E chego ao fim de mais uma obra dela. :/

domingo, 7 de novembro de 2010

Chorar não resolve. Falar pouco é uma virtude. Aprender a se colocar em primeiro lugar não é egoismo. Para qualquer escolha se segue alguma consequência. Vontades efêmeras não valem a pena. Quem faz uma vez, não faz duas necessariamente, mas quem faz dez, com certeza faz onze. Perdoar é nobre, esquecer é quase impossível. Quem te merece não te faz chorar, quem gosta cuida. O que está no passado tem motivos para não fazer parte do seu presente. Não é preciso perder pra aprender a dar valor, e os amigos ainda se contam nos dedos.
Aos poucos você percebe o que vale a pena. O que se deve guardar pro resto da vida, e o que nunca deveria ter entrado nela. Não tem como esconder a verdade, nem tem como enterrar o passado, o tempo sempre vai ser o melhor remédio, mas seus resultados nem sempre são imediatos.


Charles Chaplin

sábado, 6 de novembro de 2010

Nada tá bom, nada tá certo. Nada é suficiente para me deixar satisfeito. Ando com crise de superioridade e não sei se me envergonho ou me orgulho disso. "Prepotente você, por demostrar indiferença e dispensar um elogio meu", alguém me disse. Quando penso que cheguei no meu limite, descubro que tenho que me esforçar um pouco mais. Rigoroso com tudo. Esnobe demais para demonstrar interesse em coisa alguma. Orgulhoso demais para aceitar os defeitos dos outros, indiferente demais para me apegar a sentimentalismos.
Descarado, nunca digo a verdade. Só faço confundir. Até a verdade é meio duvidosa se for dita por mim. Abuso de reticências e nunca uso um ponto final. Manipulo as pessoas a meu favor. Não estou nem aí. Egoísta demais para me preocupar com os outros.
"O mundo é dos espertos", alguém me disse. Não, o mundo é dos otários, respondi.
Minha cabeça ferve de pensamentos obscuros. Cheguei a morder meu braço até ficar roxo, pelo simples prazer de sentir dor.
Ninguém tem paciência comigo, ficam muito cansados com as minhas conversas porque eu não dou sussego um minuto sequer, não consigo relaxar. Estou sempre questionando tudo, fugindo do óbvio, duvidando dos fatos. Perfeccionista, insuportável!
Eu que sempre critiquei pessoas desse tipo, estou me tornando uma?
O silêncio nunca me incomodou tanto. Quero gritar ao mundo todo o que guardo entalado na garganta, me jogar do mais alto pico sem ter pena de mim mesmo. E eu não tô jogando limpo, não quero saber de regras. Dispenso seu braço direito e seu ombro amigo, dispenso tudo o que vier pela metade, não quero metade de nada. Se é pra fazer, porque não faz direito? Porque não vai até o fim? Covardes, devagar, limitados, isso que são. Se intimidam com um olhar mas não sabem desvendar o que tem por trás dele. Ficam só de braços cruzados esperando que eu me prontifique a explicar as coisas. Isso me cansa profundamente. Ando "complicado demais para sua capacidade de raciocínio".


Repost. Nada mais válido!

Suellen Nara @ equilibriobambo
Quem é de verdade sabe quem é de mentira. E estou farto de tantas máscaras fora do teatro. Como se não bastasse, ainda não sabem atuar!
Que me desculpem, mas eu não vou criar um personagem e não vou atuar. Deixo isso para quem não tem o seu próprio 'eu' interessante o suficiente.
Um dia descobrem, que nunca amaram e nunca ao menos foram amados, ou sequer amaram a si mesmos. Gastaram suas vidas sendo os olhos e a boca de outra pessoa.
Tudo isso por causa de uma máscara e de sentimentos falsos. A QUE PONTO NÓS CHEGAMOS HEIN?!

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Sempre desprezei as coisas mornas, as coisas que não provocam odio nem paixão, as coisas definidas como mais ou menos. Um filme mais ou menos, um livro mais ou menos. Tudo perda de tempo. Viver tem que ser pertubador, é preciso que nossos anjos e demonios sejam despertados, e com eles sua raiva, orgulho, seu asco, sua adoração ou seu desprezo. O que não faz você mover um musculo, o que nao faz você estremecer, suar, desatinar, não merece fazer parte da sua biografia.

Martha Medeiros