segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Os cacos de um coração partido
São mais sutis e cautelosos que o coração por inteiro. Olham-se uns aos outros antes de tudo. Olham cada centímetro do que os cercam. Então cochicham...

“É uma festa?”

“A festa é pra gente?”

“Por que nos dariam uma festa?"

...até que alcançam a questão essencial:

“Pode comer os docinhos?”

Por mais que se partam, sempre haverá os cacos invariavelmente crédulos. Com a reincidência, tornam-se cada vez mais minoria... Mas lá estão! Esperançosos. São os primeiros a começar dançar, e logo estão tentando convencer e contagiar os outros.

Os mais contidos, ficam a observá-los. Começam a bater o pezinho no chão, mas não se arriscam a entrar na dança ainda até entender toda a coreografia.

E os caquinhos céticos, ah!... esses só dançam ao som de Elvis.

E não aceitam cover.


O Livro Sem Nome, FVK, cap. 7.