Os cacos de um coração partido
São mais sutis e cautelosos que o coração por inteiro. Olham-se uns aos outros antes de tudo. Olham cada centímetro do que os cercam. Então cochicham...
“É uma festa?”
“A festa é pra gente?”
“Por que nos dariam uma festa?"
...até que alcançam a questão essencial:
“Pode comer os docinhos?”
Por mais que se partam, sempre haverá os cacos invariavelmente crédulos. Com a reincidência, tornam-se cada vez mais minoria... Mas lá estão! Esperançosos. São os primeiros a começar dançar, e logo estão tentando convencer e contagiar os outros.
Os mais contidos, ficam a observá-los. Começam a bater o pezinho no chão, mas não se arriscam a entrar na dança ainda até entender toda a coreografia.
E os caquinhos céticos, ah!... esses só dançam ao som de Elvis.
E não aceitam cover.
O Livro Sem Nome, FVK, cap. 7.