É quem só aceita a verdade do jeito que chega aos olhos
Não projete em mim sua frustração
Do jeito que eu vim e que eu sou é como eu vou terminar
Não projete em mim suas ambições
A confiança que eu carrego não cabe no julgamento
Não projete em mim em vão
Eu só lamento, se eu tiver que te decepcionar
Antes você do que eu, e a certeza que eu criei
É maior que meu entendimento
Mas... do jeito que eu ando aqui não dá
Cansei de viver assim.
Já não dá pra repetir os mesmos erros
Cansei de viver assim.
segunda-feira, 17 de outubro de 2016
domingo, 9 de outubro de 2016
sexta-feira, 19 de agosto de 2016
Ensaio sobre a Pornografia.
Quando se mora sozinho, desenvolve-se o hábito de falar consigo mesmo.
Certo dia me disseram: "você é aquilo que faz quando ninguém está olhando". Contudo, penso que o contrário guarda maior pertinência com a realidade - você é aquilo que faz quando o maior número possível de pessoas estão te olhando.
Você não é aquilo que faz quando se despe, mas é aquilo que escolhe vestir, todos os dias, ao acordar (e não falo de roupas!).
Nós somos escolhas, não a ausência delas.
O presente parece nunca estar bom, às vezes, até o passado parece melhor, mas, ainda assim, há coragem suficiente para se pedir por mais tempo, mais dias, vai que(...), o mundo gira, é isso que dizem, não é?
Solidão perde toda e qualquer conotação pejorativa quando se mora sozinho. Até mesmo quando o verbo morar quer indicar ser. Há um pouco de escolha misturada com causalidade, um pouco de acaso com coragem, mas também um pouco de fim e um pouco de começo.
Filosoficamente sim, seríamos aquilo que nos revela o espelho chamado "convívio social", mas, com a licença poética comprada no botequim da esquina, atrevo-me a dizer que somos tão mais os personagens que criamos para o cotidiano, do que àquele a falar sozinho.
Aliás, sozinho também perde sua conotação pejorativa, assim como sua significação. Com precisão cirúrgica, dizem: nunca se está só. Ora, bem desconfiava! Como desconfio que também não seja Deus quem responde meus infinitos questionamentos dirigidos ao vento, devo imaginar que há algum intrometido nessa história. Oh, Céus! Céus e Freud, lógico. Desvaneios capazes de enlouquecer até o pai da psicanálise, mero desencontro de quase um século.
Essa formatação de aforismo serviu como uma luva! Como também me caiu bem o pseudônimo. Chega de premissas, recortes metodológicos, ponto referencial bem traçado e um discurso comprometido com os princípios da lógica aritostélica!
Se quer tamanho, por que não despir a alma?
Meu senso autocrítico pode não ser dos mais apurados, mas quanto mais vejo dos personagens, mais entro meu próprio papel, desejando o monólogo por todo o sempre, até que a luz se apague - seria bacana uns aplausos daí, quem sabe uns assobios?! Alguém?!
Algo bacana mesmo, mas contra as regras do jogo, seria descobrir onde estão vendendo esses malditos ingressos e poder comprar todos. Ninguém mais entra! Melhor! Entra sim! Como convidado!
Aí sim, o show seria completo: todo mundo nu. Exigência do convite!
"... os ciclos de consagracão social serão tão mais eficazes quanto maior for a distância para com o objeto consagrado." (Bourdie)
quinta-feira, 7 de julho de 2016
Problemas (assi)métricos!
Não falarei em retorno.
Limites já não haviam:
Compreendeu,
Planejou,
Preparou, e, por fim,
Passou à ação...
Talvez não seja o momento; ou talvez seja, mas quem melhor que o tempo para dizer?
Um Quarto há de ser maior que o próprio mundo, mas o mundo caberia em um Quarto?
Resposta e pergunta fundamental aos problemas existenciais de nossa atual conjuntura.
Dentro de um Quarto que não há janelas, não há todo mundo e também não há ninguém. Não há nada para se quebrar, tampouco limites como espaço e tempo. Mas há uma porta que, curiosamente, parece muito o coração, dígna de uma fechadura tão ruim que não abre pelo lado de dentro, somente pelo lado de fora.
Por outro lado, não há necessidade de chave, basta apenas um forte chute e pronto!
Se for entrar, devo advertir, feche a porta rápido! Bata 4 pregos em um pedaço de madeira bem acima da fechadura. Não deixe com que o ar de fora entre, é demasiada poluição para um ambiente sem janelas.
Por outro lado, não há necessidade de chave, basta apenas um forte chute e pronto!
Se for entrar, devo advertir, feche a porta rápido! Bata 4 pregos em um pedaço de madeira bem acima da fechadura. Não deixe com que o ar de fora entre, é demasiada poluição para um ambiente sem janelas.
Se soubessem que teriam uma resposta, até fariam perguntas, mas em se tratando dele, sabiam que seu hábito era de nunca tocar no assunto, afinal, nunca houvera pedido socorro sequer, odiava visitas inesperadas!
Ocorrera que, por certo tempo, andou sozinho. Aprendeu mais consigo mesmo do que em todos os anos em que vivera naquela - hoje, trágica - normalidade.
Mas assim como o Poeta enuncia a palavra inesperada, causando desiquilíbrio e desarmonia nos acórdes, descobriu-se o Quarto.
Nada demais! - dizia ele, quatro paredes, uma cama, inúmeros livros, cadeiras, mesas, etc., e, lógico, seus fantasmas.
O desdém do início era inevitável! Esperaria por uma novidade de espírito até que sucumbisse ao profundo tédio.
Com o passar do tempo, tomou consciência de que o Quarto não era qualquer quarto. Não teria qualquer novidade de espírito, ao menos, não da forma como havia esperado até então. Deu-se conta de um sem número de verdades que já habitavam aquele Quarto, desde sua chegada. Eureca!
A falta Dela, inclusive.
Seu raciocínio era predominantemente influenciado pela lógica, uma vez que a tomara para si como um método a fim de se manter lúcido. Até perceber que o Quarto havia sido preparado, em cada detalhe, às suas necessidades.
"Quem? Quando? Por quê? Por que aqui? Ahn?" - Seriam perguntas comuns e previsíveis, mas em sabendo disso, Ele, que não gostava nada que lhe fosse previsível, sequer se atormentou com tantos "por quês".
O Quarto virou realidade; realidade era o Mundo, logo, o Quarto era seu Mundo.
Um verdadeiro sistema autopoético, o Quarto era autorreferente.
Seu Mundo, suas regras!
Restaurou valores como quem restaura móveis antigos: com paciência e a esperança de que o passado lhe viesse útil ao presente e ao futuro.
Com o passar do tempo, tomou consciência de que o Quarto não era qualquer quarto. Não teria qualquer novidade de espírito, ao menos, não da forma como havia esperado até então. Deu-se conta de um sem número de verdades que já habitavam aquele Quarto, desde sua chegada. Eureca!
A falta Dela, inclusive.
Seu raciocínio era predominantemente influenciado pela lógica, uma vez que a tomara para si como um método a fim de se manter lúcido. Até perceber que o Quarto havia sido preparado, em cada detalhe, às suas necessidades.
"Quem? Quando? Por quê? Por que aqui? Ahn?" - Seriam perguntas comuns e previsíveis, mas em sabendo disso, Ele, que não gostava nada que lhe fosse previsível, sequer se atormentou com tantos "por quês".
O Quarto virou realidade; realidade era o Mundo, logo, o Quarto era seu Mundo.
Um verdadeiro sistema autopoético, o Quarto era autorreferente.
Seu Mundo, suas regras!
Restaurou valores como quem restaura móveis antigos: com paciência e a esperança de que o passado lhe viesse útil ao presente e ao futuro.
Limites já não haviam:
Compreendeu,
Planejou,
Preparou, e, por fim,
Passou à ação...
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