Certo dia me disseram: "você é aquilo que faz quando ninguém está olhando". Contudo, penso que o contrário guarda maior pertinência com a realidade - você é aquilo que faz quando o maior número possível de pessoas estão te olhando.
Você não é aquilo que faz quando se despe, mas é aquilo que escolhe vestir, todos os dias, ao acordar (e não falo de roupas!).
Nós somos escolhas, não a ausência delas.
O presente parece nunca estar bom, às vezes, até o passado parece melhor, mas, ainda assim, há coragem suficiente para se pedir por mais tempo, mais dias, vai que(...), o mundo gira, é isso que dizem, não é?
Solidão perde toda e qualquer conotação pejorativa quando se mora sozinho. Até mesmo quando o verbo morar quer indicar ser. Há um pouco de escolha misturada com causalidade, um pouco de acaso com coragem, mas também um pouco de fim e um pouco de começo.
Filosoficamente sim, seríamos aquilo que nos revela o espelho chamado "convívio social", mas, com a licença poética comprada no botequim da esquina, atrevo-me a dizer que somos tão mais os personagens que criamos para o cotidiano, do que àquele a falar sozinho.
Aliás, sozinho também perde sua conotação pejorativa, assim como sua significação. Com precisão cirúrgica, dizem: nunca se está só. Ora, bem desconfiava! Como desconfio que também não seja Deus quem responde meus infinitos questionamentos dirigidos ao vento, devo imaginar que há algum intrometido nessa história. Oh, Céus! Céus e Freud, lógico. Desvaneios capazes de enlouquecer até o pai da psicanálise, mero desencontro de quase um século.
Essa formatação de aforismo serviu como uma luva! Como também me caiu bem o pseudônimo. Chega de premissas, recortes metodológicos, ponto referencial bem traçado e um discurso comprometido com os princípios da lógica aritostélica!
Se quer tamanho, por que não despir a alma?
Meu senso autocrítico pode não ser dos mais apurados, mas quanto mais vejo dos personagens, mais entro meu próprio papel, desejando o monólogo por todo o sempre, até que a luz se apague - seria bacana uns aplausos daí, quem sabe uns assobios?! Alguém?!
Algo bacana mesmo, mas contra as regras do jogo, seria descobrir onde estão vendendo esses malditos ingressos e poder comprar todos. Ninguém mais entra! Melhor! Entra sim! Como convidado!
Aí sim, o show seria completo: todo mundo nu. Exigência do convite!
"... os ciclos de consagracão social serão tão mais eficazes quanto maior for a distância para com o objeto consagrado." (Bourdie)