sexta-feira, 25 de março de 2011

Lave o rosto nas águas sagradas da pia, nada como um dia após o outro dia.
[...]
Eu sei, você sabe o que é frustração: maquina de fazer vilão.

terça-feira, 22 de março de 2011

... O mundo se tornara de novo um mal-estar. Vários anos ruíam, as gemas amarelas escorriam. Expulsa de seus próprios dias, parecia-lhe que as pessoas na rua eram periclitantes, que se mantinham por um mínimo equlíbrio à tona da escuridão - e por um momento a falta de sentido deixava-as tão livres que elas não sabiam para onde ir. Perceber uma ausência de lei foi tão súbito que Ana se agarrou ao banco da frente, como se pudesse cair do bonde, como se as coisas pudessem ser revertidas com as mesma calma com que não eram.
O que chamava de crise viera afinal. E sua marca era o prazer intenso com que olhava agora as coisas, sofrendo, espantada. O calor se tornara mais abafado, tudo tinha ganho uma força e vozes mais altas.

(Amor) Laços de Família, Clarice Lispector.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Pra falar verdade, às vezes minto.
Tentando ser metade do inteiro que eu sinto,
Pra dizer às vezes que às vezes não digo.
Sou capaz de fazer da minha briga meu abrigo.
"Tanto faz" não satisfaz o que preciso.
Além do mais quem busca nunca é indeciso.
Eu busquei quem sou.


Cuida de Mim, O Teatro Mágico

quarta-feira, 16 de março de 2011

Deixa, deixa, deixa eu dizer o que penso dessa vida. Preciso demais desabafar!

segunda-feira, 14 de março de 2011

Confundimos amor com paixão, amizade com necessidades em comum, ódio com raiva, prazeroso com indispensável, enfim – torturamos a nós mesmos todos os dias com sentimentos que talvez nem sequer saibamos comunicar uns aos outros. Não valorizamos o transcendental, o abstrato, o inefável, e os colocamos nomes como se fossem limites, sem considerar um qualquer ponto variável. Não se ama igualmente, o apreço não é recíproco e não sabemos quanto tempo leva para algo esfriar e acabar. Nem nós somos mais os mesmos: já fomos, quem sabe, três ou até mais pessoas no decorrer de meros 21 anos?

Quanto tempo mais levará para entender que cada um segue o seu caminho e é absolutamente mais fácil um caminho ser distinto do outro, do que paralelo? E não esqueça: cruzamentos só acontecem em ferrovias.

O que se sente continuará a ser desprezado. As pessoas continuarão a partir. Torne-se indispensável para alguém, mas proteja-se de tornar alguém indispensável para você. Manter-se bem não é somente procurar melhorar, mas sim procurar cada vez mais não se decepcionar com ninguém.

Tudo é relativo. Menos o caráter.


No primeiro, no centro final, a sensação simples e sem adjetivos, tão cega quanto uma pedra rolando. Na imaginação, que só ela tem a força do mal, apenas a visão engradecida e transformada sob ela a verdade impassível. Mente-se e cai-se na verdade. Mesmo na liberdade, quando escolhia alegre novas veredas, reconheci-as depois. Ser livre era seguir-se afinal, e eis de novo o caminho traçado.”

sexta-feira, 11 de março de 2011

Porque, às vezes, acordar tem lá suas muitas desvantagens.

C.L.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Quando os olhos dizem mais que a boca... Complicado!
E toda vez que eu ando um passo de apego eu volto dois, que é pra eu não correr o risco das coisas irem rápidas demais. Não por eu não poder, e sim por eu não querer ser dependente de ninguém. Eu tenho mesmo essa mania de me desfazer um pouco das coisas que me fazem bem, auto defesa, eu acho. Não quero confundir coisas prazerosas com indispensáveis. Se é que você me entende.

Alexandra Moura

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

...

Os sentimentos que as palavras não alcançam sempre me pareceram mais legítimos. Paradoxo não?

Percebi que o excesso de cura também traz males: tédio, insônia, enjôo, ansiedade...

'Como se visse alguém beber água e descobrisse que tinha sede, sede profunda e velha. Talvez fosse apenas falta de vida: estava vivendo menos do que podia e imaginava que sua sede pedisse inundações. Talvez apenas alguns goles...'

sábado, 12 de fevereiro de 2011

‎Tudo tão insuportavelmente relativo...
A única coisa determinada era o desejo. Queria um resultado positivo a toda essa conta. Lembrou, então, que era uma equação. E o valor que sua variável assumisse, afetaria todas as demais infindas variáveis, mesmo que seu horizonte se encerrasse a duas variáveis dali.

Que valor assumir?

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Os cacos de um coração partido
São mais sutis e cautelosos que o coração por inteiro. Olham-se uns aos outros antes de tudo. Olham cada centímetro do que os cercam. Então cochicham...

“É uma festa?”

“A festa é pra gente?”

“Por que nos dariam uma festa?"

...até que alcançam a questão essencial:

“Pode comer os docinhos?”

Por mais que se partam, sempre haverá os cacos invariavelmente crédulos. Com a reincidência, tornam-se cada vez mais minoria... Mas lá estão! Esperançosos. São os primeiros a começar dançar, e logo estão tentando convencer e contagiar os outros.

Os mais contidos, ficam a observá-los. Começam a bater o pezinho no chão, mas não se arriscam a entrar na dança ainda até entender toda a coreografia.

E os caquinhos céticos, ah!... esses só dançam ao som de Elvis.

E não aceitam cover.


O Livro Sem Nome, FVK, cap. 7.

domingo, 30 de janeiro de 2011

O mundo me prefere com dois braços e duas pernas, mas não sei mais ser humano. Sorrir cansa. Chorar cansa. Mas o que mais cansa é procurar desesperadamente um intermediário e esquecer que o mundo é mais que aparências.
Eu sou volúvel. Grande surpresa. Mas ser volúvel também cansa. Porque ninguém leva a sério alguém que passa a semana chorando pra ficar bem na semana seguinte. Como se fosse preciso ser feliz pra sempre ou triste pra sempre pra ser alguma coisa de verdade.
Não quero mais a realidade comum. Isso é o que mais cansa, pra ser bem sincero. Tenho até arrepios de pensar num futuro escrito e óbvio nas prateleiras de gente sem sal. Só de saber o que vai ser de mim, já quero ser outra coisa. Uma coisa nova e diferente, pra quebrar o que é certo.
Eu ando tão cansado de seguir as regras. Ando tentando mudar as regras. Eu sei que o que acomoda não é fácil de mudar, mas alguém um dia tem que dizer chega, né? Pras coisas mudarem, o mundo girar. Tanta engrenagem e tão pouco suor.
Só sei que ando dedicando meus dias pra gente que nem sabe que eu existo. Vou fazer minha faculdade, conseguir meu diploma. Vou fazer o que for preciso pra nunca mais precisar fazer nada. E passar o resto da minha vida fingindo que acredito na minha liberdade.

repost.

sábado, 15 de janeiro de 2011

Toc Toc...

Quando meu passado bate à porta, eu fico assim sem entender porquê, nem sei muito bem o que fazer. Fico querendo saber se é porque o futuro anda meio distante e eu fico aqui parado no presente ou se é porque meu passado tem coisas que serão do meu futuro e eu não consegui ainda perceber. Estranhamente eu começo a tentar imaginar as coisas de outro modo e talvez acreditar que a questão não é reviver o que passou, mas usar algumas das mesmas palavras e escrever um futuro diferente daquele que já se leu. E mesmo sem entender, eu abro a porta. Espero, olho no olho e pago pra ver se isso de que “o mundo dá voltas” vai funcionar por aqui também.

Descompasso.

Eu quero adiar, cancelar, jogar no lixo os compromissos. Desligar o telefone, o celular e deixar a caixa de e-mail's passar de 100 mensagens não lidas. Eu quero mandar dizer que não estou. Viver de velhos hábitos, nem que por pouquíssimo tempo. Férias do meu mundo sem ritmo, ou de vários ritmos: só não o meu.

O mal da boa criança, é rasgar o pacote com expectativas demais.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

[...]
Aí a vida vai ficando sem tempero, politicamente correta e existencialmente sem-graça, enquanto a gente vai ficando melancolicamente sem tesão. Às vezes dá vontade de fazer tudo "errado". Deixar de lado a régua, o compasso, a balança e os 10 mandamentos. Ser ridículo, inadequado, incoerente, falar alto e não estar nem aí pro que dizem e o que pensam a nosso respeito. Recusar prazeres incompletos e meias porções. Até Santo Agostinho, que foi santo, uma vez se rebelou e disse uma frase mais ou menos assim: "Deus, dai-me castidade e continência, mas não agora" ... Nós, que não aspiramos à santidade e estamos aqui de passagem, podemos (devemos?) desejar várias bolas de sorvete, bombons de muitos sabores, vários beijos bem dados e sem pressa e sentir o coração acelerar.
Um dia a gente cria juízo, um dia, não tem que ser agora.


Danuza Leão