sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

'Sobre serpente e víbora andarás;
calçarás aos pés o leão e o dragão.'


- Salmo 90.


Enfim, 2011.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Menino_de_gravata_vermelha: Talvez seja o cérebro, afinal, que diz o que é errado ou não. E o coração talvez seja apenas um menino impulsivo que só não age quando o cérebro consegue apanhá-lo pela camiseta.
E eu que achei que ia mudar o mundo, hoje assisto tudo de cima do muro.

'Eu vejo isso por cima de um muro de hipocrisia,
Que insiste em nos rodear...'

Como diria Lulu Santos.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

... é essa maldita pressa, ânsia, desespero em reafirmar os valores que conduzem nossa vida, sempre conduziram... e parar agora para perguntar ao cocheiro “aonde nos conduz?” só vai nos fazer colocar a cabeça para fora e trazer a angústia de enxergar as inúmeras encruzilhadas que ele ignora em seu percurso. Como se notar o equívoco durante o percurso tirasse todo o sentido da jornada até agora. Se a jornada estiver bem mais próxima do fim que do começo, então...

Todo sentido de uma vida!

O caminho de praxe já estava impregnado de certezas. O destino era certo. Tão certo que, outro, já não enxergava. Nem as encruzilhadas, nem nada além.

Lembrei-me, então, de fechar os olhos...


O Livro Sem Nome, F.V.K.
Eu não quero mais mentir
Usar espinhos que só causam dor
Eu não enxergo mais o inferno que me atraiu
Dos cegos do castelo me despeço e vou
A pé até encontrar
Um caminho, o lugar
Pro que eu sou.

...


Os Cegos do Castelo, Nando Reis

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Há quem diga que eu dormi de touca
Que eu perdi a boca, que eu fugi da briga
Que eu caí do galho e que não vi saída
Que eu morri de medo quando o pau quebrou

Há quem diga que eu não sei de nada
Que eu não sou de nada e não peço desculpas
Que eu não tenho culpa, mas que eu dei bobeira
E que Durango Kid quase me pegou

Eu quero é botar meu bloco na rua
Brincar, botar pra gemer
Eu quero é botar meu bloco na rua
Gingar pra dar e vender

Eu quero é botar meu bloco na rua
Brincar, botar pra gemer
Eu quero é botar meu bloco na rua
Gingar pra dar e vender

Eu, por mim, queria isso e aquilo
Um quilo mais daquilo, um grilo menos nisso
É disso que eu preciso ou não é nada disso
Eu quero todo mundo nesse carnaval...
Eu quero é botar meu bloco na rua

Brincar, botar pra gemer
Eu quero é botar meu bloco na rua
Gingar pra dar e vender

Eu quero é botar meu bloco na rua
Brincar, botar pra gemer
Eu quero é botar meu bloco na rua
Gingar pra dar e vender.


Eu Quero é Botar Meu Bloco na Rua, Monobloco.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

“O que importa é o gosto. O que importa é o gosto. O gosto. O gosto, o gosto, o gosto...”
O óbvio me incomoda, clichê, idem. Eu vim pra inventar, confundir, complicar. Quebrar e jogar no lixo. Sou discreto mas não passo em branco na vida de ninguém e vou embora sem dar tchau.

@ equilibriobambo.blogspot

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Quando eu abrisse os olhos novamente, deveria ser tudo diferente. Deveria manter a consciência que tenho hoje, pois precisava me lembrar da razão de se fechar os olhos; mas precisava de olhos novos, pois precisava esquecer os vícios do olhar.

Os vícios... Como me livraria deles?

Foi quando comecei a me despir. De tudo. Óculos, meias, carapuças e até dos filtros solares. Tudo que não era meu, não era vivo, não era carne, pêlos, dentes e unhas (talvez me livrasse um pouco das unhas também). Tudo que me puseram, mesmo que tenha sido para abrigar do frio. Já não bastava a sensação térmica que a roupa intermediava, não bastava a gripe, o termômetro: era preciso conhecer o frio nu.

E foi de tanto me despir, e não haver mais o que ser despido, é que encontrei esse anônimo incógnito. Estava lá, perdido, sufocado, de olhos arregalados.
Sim, era ele. Era eu. Seria eu se não fosse todo o resto.

Anônimo, incógnito e nu.

Olhei para ele.

Ele olhou para mim...

E olhou para mim...

E olhou para mim...

E nunca lhe era mesma coisa. Era sempre além...

Tão além que o senti no meu âmago... e logo o senti mais dentro... dentro de algo que só me dei conta de que havia ali porque o senti... E ele seguiria, se não tivesse lhe pedido para parar...

Parar onde?!

Dei-me conta de que ele não parava, pois as coisas não lhe tinham final. Tudo se conectava, prosseguia, nada lhe soava categórico. Se lhe desse um ponto final para colocar, ele hesitaria até o final da vida com aquele ponto final na mão.

Então lhe dei reticências...

Fiz-lhe um topete e botei-lhe sapatos vermelhos, pois agradaram aos novos olhos diante o espelho. E me fui, seguindo os fogos.


O Livro Sem Nome, F.V.K.
Faço o possível para escrever por acaso. Eu quero que a frase aconteça. Não sei expressar-me por palavras. O que eu sinto não é traduzível. Eu me expresso melhor pelo silêncio. Expressar-me por meio de palavras é um desafio. Mas não correspondo à altura do desafio. Saem pobres palavras.

A Paixão Segundo G.H, Clarice Lispector, pág. 87, Ed. Rocco.

Sei bem o que você sentia.