quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
quinta-feira, 14 de julho de 2011
Mas nenhum deles se perguntou.
Não chegaram a usar palavras como especial, diferente ou qualquer outra assim. Apesar de, sem efusões, terem se reconhecido no primeiro segundo do primeiro minuto. Acontece porém que não tinham preparo algum para dar nome às emoções, nem mesmo para tentar entedê-las.
segunda-feira, 11 de julho de 2011
Eu tive tanto amor um dia. Preciso tanto tanto, cara, eles não me permitiram ser a coisa boa que eu era.[...] Que aconteça alguma coisa bem bonita com você, ela diz, te desejo uma fé enorme, em qualquer coisa, não importa o quê, como aquela fé que a gente teve um dia, me deseja também uma coisa bem bonita, uma coisa qualquer maravilhosa, que me faça acreditar em tudo de novo, que nos faça acreditar em tudo outra vez, que leve para longe da minha boca esse gosto podre de fracasso, este travo de derrota sem nobreza, não tem jeito, companheira, nos perdemos no meio da estrada e nunca tivemos mapa algum, ninguém dá mais carona e anoite já vem chegando.
Morangos Mofados, Os Sobreviventes, Caio Fernando Abreu.
domingo, 3 de julho de 2011
quarta-feira, 25 de maio de 2011
quinta-feira, 19 de maio de 2011
A questão é que o rótulo vende. Ser "politicamente incorreto", no Brasil de hoje, é motivo de orgulho. Todo pateta com pretensões à originalidade e à ironia toma a iniciativa de se dizer "incorreto" - e com isso se vê autorizado a abrir seu destampatório contra as mulheres, os gays, os negros, os índios e quem mais ele conseguir.
Não nego que o "politicamente correto", em suas versões mais extremadas, seja uma interdição ao pensamento, uma polícia ideológica.
Mas o "politicamente incorreto", em sua suposta heresia, na maior parte das vezes não passa de banalidade e estupidez.
[...]
Politicamente fascista, Marcelo Coelho
terça-feira, 10 de maio de 2011
Ele aprendeu desde cedo a pensar e como não vira de perto nenhum ser humano senão a si mesmo, deslumbrou-se, sofreu, viveu um orgulho doloroso, às vezes leve mas quase sempre difícil de se carregar.
quarta-feira, 4 de maio de 2011
(Clarice Lispector, Um Sopro de Vida, p. 101, Ed. Rocco)
segunda-feira, 18 de abril de 2011
domingo, 17 de abril de 2011
Sujeito Oculto.
Ando exigindo demais de mim, e exigir dos outros é consequência. Logo tudo isso não é mais um ciclo, um hábito (doença). Elogiam meu vocabulário, mas simplesmente pareço não encontrar nunca as palavras que quero, e mais uma vez fico sem entender. Aí tudo parece jogado. Mas lembro - "te acalma, é só mais um sintoma".
quinta-feira, 7 de abril de 2011
sábado, 2 de abril de 2011
Odeio chás.
Chá das Cinco, Suellen Nara. (equilibriobambo.blogspot.com)
sexta-feira, 1 de abril de 2011
O que fazer então? O que fazer para interromper aquele caminho, conceder-se um intervalo entre ele e ele mesmo, para mais tarde poder reencontra-se sem perigo, novo e puro?
O que fazer?
O piano foi atacado deliberadamente em escalas fortes e uniformes. Exercícios, pensou. Exercícios... Sim, descobriu divertido. Por que não? Porque não tentar amar? Por que não tentar viver?
Leão é pouco. O que eu ando matando pra sobreviver ainda não tem nome.
(Clarice Lispector, Perto do Coração Selvagem)
quinta-feira, 31 de março de 2011
Queria ter chego mais cedo,
Mas hoje não deu.
E no momento em que eu perco o filme do começo
Não dá pra voltar.
Chego quando abrir a sessão das dez!
Vou assistir,
Até que me organizei pra chegar.
Não deu e foi mal,
Foi mal, não foi por mal.
Queria tanto ler o letreiro,
Saber de cara quem vai ser o vilão.
Ação, suspense, filme de ninja ou de amor,
Próximo filme vou ser pontual.
Pontual, Tulipa Ruiz.
terça-feira, 29 de março de 2011
[...]
Liberdade é pouco. O que desejo ainda não tem nome.
Perto do Coração Selvagem, Clarice Lispector.
segunda-feira, 28 de março de 2011
- Não sei - respondeu ele depois de um curto silêncio - talvez você seja feliz alguma vez, não compreendo, de uma felicidade que poucas pessoas invejarão. Nem sei se poderia chamar de felicidade. Talvez você não encontre mais ninguém que sinta como você, como...
(Clarice Lispector, Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres)
- Afinal nessa busca de prazer está resumida a vida animal. A vida humana é mais complexa: resume-se na busca do prazer, no seu temor, e sobretudo na insatisfação dos intervalos. É um pouco simplista o que estou falando, mansão importa por enquanto. Compreende? Toda ânsia é busca de prazer. Todo remorso, piedade, bondade, é o seu temor. Todo o desespero e as buscas de outros caminhos são a insatisfação. Eis aí um resumo, se você quer. Compreende?
sexta-feira, 25 de março de 2011
terça-feira, 22 de março de 2011
segunda-feira, 21 de março de 2011
quarta-feira, 16 de março de 2011
segunda-feira, 14 de março de 2011
Confundimos amor com paixão, amizade com necessidades em comum, ódio com raiva, prazeroso com indispensável, enfim – torturamos a nós mesmos todos os dias com sentimentos que talvez nem sequer saibamos comunicar uns aos outros. Não valorizamos o transcendental, o abstrato, o inefável, e os colocamos nomes como se fossem limites, sem considerar um qualquer ponto variável. Não se ama igualmente, o apreço não é recíproco e não sabemos quanto tempo leva para algo esfriar e acabar. Nem nós somos mais os mesmos: já fomos, quem sabe, três ou até mais pessoas no decorrer de meros 21 anos?
Quanto tempo mais levará para entender que cada um segue o seu caminho e é absolutamente mais fácil um caminho ser distinto do outro, do que paralelo? E não esqueça: cruzamentos só acontecem em ferrovias.
O que se sente continuará a ser desprezado. As pessoas continuarão a partir. Torne-se indispensável para alguém, mas proteja-se de tornar alguém indispensável para você. Manter-se bem não é somente procurar melhorar, mas sim procurar cada vez mais não se decepcionar com ninguém.
Tudo é relativo. Menos o caráter.
“No primeiro, no centro final, a sensação simples e sem adjetivos, tão cega quanto uma pedra rolando. Na imaginação, que só ela tem a força do mal, apenas a visão engradecida e transformada sob ela a verdade impassível. Mente-se e cai-se na verdade. Mesmo na liberdade, quando escolhia alegre novas veredas, reconheci-as depois. Ser livre era seguir-se afinal, e eis de novo o caminho traçado.”
quinta-feira, 3 de março de 2011
Alexandra Moura
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
...
Percebi que o excesso de cura também traz males: tédio, insônia, enjôo, ansiedade...
'Como se visse alguém beber água e descobrisse que tinha sede, sede profunda e velha. Talvez fosse apenas falta de vida: estava vivendo menos do que podia e imaginava que sua sede pedisse inundações. Talvez apenas alguns goles...'
sábado, 12 de fevereiro de 2011
A única coisa determinada era o desejo. Queria um resultado positivo a toda essa conta. Lembrou, então, que era uma equação. E o valor que sua variável assumisse, afetaria todas as demais infindas variáveis, mesmo que seu horizonte se encerrasse a duas variáveis dali.
Que valor assumir?
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
São mais sutis e cautelosos que o coração por inteiro. Olham-se uns aos outros antes de tudo. Olham cada centímetro do que os cercam. Então cochicham...
“É uma festa?”
“A festa é pra gente?”
“Por que nos dariam uma festa?"
...até que alcançam a questão essencial:
“Pode comer os docinhos?”
Por mais que se partam, sempre haverá os cacos invariavelmente crédulos. Com a reincidência, tornam-se cada vez mais minoria... Mas lá estão! Esperançosos. São os primeiros a começar dançar, e logo estão tentando convencer e contagiar os outros.
Os mais contidos, ficam a observá-los. Começam a bater o pezinho no chão, mas não se arriscam a entrar na dança ainda até entender toda a coreografia.
E os caquinhos céticos, ah!... esses só dançam ao som de Elvis.
E não aceitam cover.
O Livro Sem Nome, FVK, cap. 7.
domingo, 30 de janeiro de 2011
Eu sou volúvel. Grande surpresa. Mas ser volúvel também cansa. Porque ninguém leva a sério alguém que passa a semana chorando pra ficar bem na semana seguinte. Como se fosse preciso ser feliz pra sempre ou triste pra sempre pra ser alguma coisa de verdade.
Não quero mais a realidade comum. Isso é o que mais cansa, pra ser bem sincero. Tenho até arrepios de pensar num futuro escrito e óbvio nas prateleiras de gente sem sal. Só de saber o que vai ser de mim, já quero ser outra coisa. Uma coisa nova e diferente, pra quebrar o que é certo.
Eu ando tão cansado de seguir as regras. Ando tentando mudar as regras. Eu sei que o que acomoda não é fácil de mudar, mas alguém um dia tem que dizer chega, né? Pras coisas mudarem, o mundo girar. Tanta engrenagem e tão pouco suor.
Só sei que ando dedicando meus dias pra gente que nem sabe que eu existo. Vou fazer minha faculdade, conseguir meu diploma. Vou fazer o que for preciso pra nunca mais precisar fazer nada. E passar o resto da minha vida fingindo que acredito na minha liberdade.
repost.
sábado, 15 de janeiro de 2011
Toc Toc...
Descompasso.
O mal da boa criança, é rasgar o pacote com expectativas demais.
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
Aí a vida vai ficando sem tempero, politicamente correta e existencialmente sem-graça, enquanto a gente vai ficando melancolicamente sem tesão. Às vezes dá vontade de fazer tudo "errado". Deixar de lado a régua, o compasso, a balança e os 10 mandamentos. Ser ridículo, inadequado, incoerente, falar alto e não estar nem aí pro que dizem e o que pensam a nosso respeito. Recusar prazeres incompletos e meias porções. Até Santo Agostinho, que foi santo, uma vez se rebelou e disse uma frase mais ou menos assim: "Deus, dai-me castidade e continência, mas não agora" ... Nós, que não aspiramos à santidade e estamos aqui de passagem, podemos (devemos?) desejar várias bolas de sorvete, bombons de muitos sabores, vários beijos bem dados e sem pressa e sentir o coração acelerar.
Um dia a gente cria juízo, um dia, não tem que ser agora.
Danuza Leão

