sexta-feira, 11 de julho de 2014

de você para você mesmo.

Olho todo caminho atrás de mim e, simplesmente, não consigo achar onde me perdi. Óbvio que tenho na ponta da língua o gosto amargo do fracasso no caminho em que me achei. Ainda que não restem obstáculos. 

Queria poderia ouvir de mim aquilo que nenhum psiquiatra, terapeuta ou amigo vai conseguir me dizer. Queria lembrar de todos os feitos conquistados, os esforços despendidos, em seu devido tempo, sendo todos elementos de um conjunto que agora se opõe. 

Mas um dia acordei e aquela paixão havia ido embora. Preferia o cobertor, preferia o sono, preferia o sonho. Aí percebi que não havia mais sonho. Desde então, não tenho tido bons dias. O que quero dizer é que não vejo motivos para levantar da cama e encarar um dia com sorriso no rosto. Vivo de títulos e cercado de livros, e amei tudo isso, mas um dia a paixão foi embora, e só me restou esse sorriso amargo que me leva à autodestruição. 

Nossa, como abdiquei das coisas! Foram horas estudando com o celular desligado, evitando contato. Mas, não sei, será que vou precisar ser mais que tudo isso que sou para que falsos amigos se aproximem e eu me sinta um pouco melhor por ter afastado a solidão (ainda que dentro da minha mentira)? E, talvez, sim, pois devo estar aceitando até os falsos amigos, uma vez que não há outra saída humana. Mas à nível de experiência é excelente, pois se comprova por A + B o quanto o interesse do ser humano "vai longe". 

Precisava mesmo era me encontrar na rua um dia desses e tomar aquele "sacode" de mim mesmo, sabe? Encontrar com aquele apaixonado pelo que fazia, apaixonado pela vida e cheio de vitalidade, disposto a abdicações e ambicioso, e ouvir dele tantas coisas quanto pudessemos lembrar, como p. ex.: "Seu idiota, você lembra quando você lutou por uma vaga em uma Universidade Federal? Você lembra que você deixou seus amigos, sua cidade, seus pais, à 350km, em busca do seu sonho? Você lembra, babaca, de quanto você se dedicou para não ser mais um naquela Universidade? Você lembra quantas noites você trocou o sono por uma mesa, um livro e uma luz acesa por horas e mais horas? E quando a OAB chegou, é capaz de lembrar das 13, 14, 15 horas seguidas de estudos? De quantas vezes você se trancou no quarto enquanto seus amigos festavam ou sua namorada precisava de você? Quantas vezes você chorou, pensou em desistir, murmurou que não aguentava mais, mas mesmo chorando você cravou os dentes em seus cronogramas e não só conseguiu tudo que queria, no tempo que queria, mas provou para si mesmo que era capaz de tudo. Decepções não matam, ensinam a viver. Levanta dessa cama, idiota. Você tem algum talento, você tem condições, você tem material, você tem um dom e você tem uma missão. Para de derramar lágrimas por quem não está nem aí para você, ou para um futuro que não é o seu. Nunca te faltou esforço, e na primeira vez em que você se perde quanto ao que quer, você pensa em abandonar tudo? NÃO. Não chegamos até aqui para você fazer isso. Agora vamos até o fim."

Nunca havia sentido a sensação de não saber onde se quer chegar. O problema dessa sensação é que quando nos sentimos assim, qualquer caminho torna-se caminho. Para quem não sabe onde quer chegar, qualquer caminho serve. Só preciso achar o amor, a paixão pelo que fazia, e que me movia. Quem sabe diminuir os remédios, praticar mais esportes, repensar a vida. A cidade e o comportamento, as pessoas que se dizem ao lado, e as falsas promessas. Nunca fui de dar muita atenção para o que diziam a meu respeito, aliás, nunca nem procurei saber. Pode chamar de desdém, mas nada mais útil. Começa por aí... 

Sabe... a solidão nem sempre foi ruim. Apenas quando má usada ela pode trazer consequências drásticas. Contudo, podemos ver claramente além quando se sabe usá-la. O silêncio, a escuridão, a realidade afinal. 

"(...)perdi minha alegria, anoiteci, roubaram minha esperança, enquanto você, solidária e positiva, apertava meu ombro com sua mão apesar de tudo viril repetindo reage, companheiro, reage, a causa precisa dessa tua cabecinha privilegiada, teu potencial criativo, tua lucidez libertária.

(...)e me lamurio até o sol pintar atrás daqueles edifícios sinistros, mas não se preocupe, não vou tomar nenhuma medida drástica, a não ser continuar, tem coisa mais autodestrutiva do que insistir sem fé nenhuma? 

Eu tive tanto amor um dia. Preciso tanto tanto, cara, eles não me permitiram ser a coisa boa que eu era.[...] Que aconteça alguma coisa bem bonita com você, ela diz, te desejo uma fé enorme, em qualquer coisa, não importa o quê, como aquela fé que a gente teve um dia, me deseja também uma coisa bem bonita, uma coisa qualquer maravilhosa, que me faça acreditar em tudo de novo, que nos faça acreditar em tudo outra vez, que leve para longe da minha boca esse gosto podre de fracasso, este travo de derrota sem nobreza, não tem jeito, companheira, nos perdemos no meio da estrada e nunca tivemos mapa algum, ninguém dá mais carona e anoite já vem chegando..