sábado, 11 de julho de 2015

Diagnóstico.

"Rapaz, juro que entendo dessa tua ansiedade. 
Acho compreensível você alegar estresse, depressão, cansaço ou me dizer que a pressão sobre você só aumenta. 
Entretanto, estou convicto de que isto se resume em seu próprio remédio. 
Sei que também não anda dormindo mais, mas, tão apenas, pegando no sono. 
Se é que podemos chamar de sono, não é? Três horas inconsciente por força do péssimo hábito de exagerar em remédios. 
Não acredito que lhe direi isso, mas isso só pode lhe ser entendido como uma dádiva. 
Ampliaram seus dias, já que você não vai durar muito. Aliás, acho que você já sabia disso, assim como eu... antes de qualquer exame mais palpável. 
Tua intensidade não tem por onde escoar, rapaz. 
Teu plano de vida não é longo, e sou capaz de apostar que você nunca se imaginou na velhice. 
Pois bem! 
Caio Fernando de Abreu dizia pelas manhãs: 
(...) repito sete vezes para dar sorte: que seja doce, que seja doce, que seja doce... Assim por diante.
Recomendo que faça o mesmo, logo ao acordar, como anestésico. 
No mais, meu prognóstico será inócuo a ti. 
Mas tua vida não será inócua por aqui,
é o que dizem."

- Sabe... acho que estou curado. 
Restou apenas uma cicatriz, 
que só dói quando chove. 
Obrigado, Doutor!
Agora pode me ver a receita daquele tarja preta?