quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Você só descobre novos caminhos quando muda a direção!

Ao passo de dar seguimento na compreensão da importância de se estabelecer um contrato com a diversidade de formas e conteúdos, me ocorre que escrever, talvez, seja uma das terapias mais eficientes, e pouco desenvolvida nesse ano que se passou. Corro para cá quando percebo que há muitos pensamentos e não há como se 'passar a régua' e fechar uma conta. Aliás, nada fecha. Um imenso aglomerado de valores e palavras inefáveis que, por própria imposição do termo, fogem da possibilidade de descrição por meio de palavras. 'Vício de linguagem', diria à técnica em diálogo com a razão, e em resposta, diria a razão - 'vai muito bem, obrigada, mas é só o que tem para mim?' -, e um silêncio ensurdecedor se estabeleceria novamente. 

Tomado pela censura de quem já disse demais (até aqui!) e teve de pagar uma conta alta, é que percebo, no silêncio, quantas justificações estavam emersas entre as extremidades da corda. Parafraseando a mim mesmo: é complicado viver a dubiedade de ser o próprio psicanalista e o paciente, ainda mais com um advogado no meio. Nesse compasso, tenho de estabelecer, à nível de uma 'quase-metalinguagem', aquilo que não me deixa alcançar a paz: uma ciência de mim mesmo que, também, pelo termo, importa o problema com contradições. O consciente dá execução, e o inconsciente faz sentir. No meio desse fogo cruzado entre agir e sentir, pergunto o porquê de sempre haver um sentimento negativo para cada ação positiva, e onde foi parar toda a 'mansarda' de Lisbon Revisted em Fernando Pessoa. Pois, ao que pese, só restou o "não me peguem pelo braço, já disse que não gosto que me peguem pelo braço". 

De fato, Hamelet estava coberto de razão: A ficção bem como os bobos dos palácios devem dizer a verdade que não pode ser dita. É um nível de abstração perigoso tentar explicar algo por esses meios. Nunca se sabe quando saímos dos trilhos e caímos no incompreensível, aliás, nunca sabemos se queremos, de verdade, explicar algo à alguém. Pois, quando escrevo, não tenho finalidade de saldar qualquer "dívida-explicativa" a qual não tenha assumido, e muito menos a de publicar uma 'carta ao leitor'. 

Clarice morreu como hermética e prolixa, e só muito depois lhe foi devolvida à condição de 'genialidade' que dela foi roubada, deixando-a só, ou melhor, em companhia da depressão. Nietzsche, depois de enlouquecer seu próprio médico, morreu como louco, e até hoje não sabemos se somos o futuro que o compreenderia (mas a soberba característica peculiar da atualidade diz que "sim"). 

Olho para dentro e procuro por respostas para as perguntas que nem deveriam ser feitas, mas quem me responde, por óbvio, não é meu consciente - que é uma autodefesa poderosa -, mas, sim, o inconsciente (ou submerso pensador incompreendido). Aí é quando cada comportamento recebe seu padrão e, ao mesmo tempo, cada pergunta respondida é, friamente, justificada com argumentos irrefutáveis. Você se compreende, aprende a aceitar como vem conduzindo tudo, e vê que saindo do lado psicológico logo o comando é assumido por aquilo que transcende e atinge o lado espiritual. Percebe que o mundo gira, e que você não sabe mais se está em cima ou em baixo, em declínio ou em ascensão. A vida se torna uma eterna oscilação de sentimentos e direções. Mas para quem já usou e abusou da droga da ambição, da força de vontade e do desafio, o morno é a morte. 

Dizia o Gato à Alice: 'se você não sabe onde quer chegar, qualquer caminho serve' (e a questão não é um fim, mas um meio: o fim pouco importa). Seria um período estéreo de objetivos? Seria esse o problema? Àquele que nunca se viu limitado, somente enxerga que não é possível quando não quer, realmente, alcançar aquele algo. Pois se quisesse, nada vos seria impossível. Alguns falam em fé, mas eu prefiro chamar de 'causalidade' (ainda que em uma definição particular). 

A censura, a quem devo a contabilidade de minhas palavras jogadas ao vento a partir de então, me diz que eu devo encerrar aqui. Me diz, também, para não colocar um ponto final, e para repetir comigo mesmo algumas vezes em voz alta: 'que venha o que vier, o que tiver que vir, ou que não venha'. 

"A única coisa que posso fazer
pela sorte
é que ela me encontre trabalhando."
(Pablo Picasso) 

sexta-feira, 11 de julho de 2014

de você para você mesmo.

Olho todo caminho atrás de mim e, simplesmente, não consigo achar onde me perdi. Óbvio que tenho na ponta da língua o gosto amargo do fracasso no caminho em que me achei. Ainda que não restem obstáculos. 

Queria poderia ouvir de mim aquilo que nenhum psiquiatra, terapeuta ou amigo vai conseguir me dizer. Queria lembrar de todos os feitos conquistados, os esforços despendidos, em seu devido tempo, sendo todos elementos de um conjunto que agora se opõe. 

Mas um dia acordei e aquela paixão havia ido embora. Preferia o cobertor, preferia o sono, preferia o sonho. Aí percebi que não havia mais sonho. Desde então, não tenho tido bons dias. O que quero dizer é que não vejo motivos para levantar da cama e encarar um dia com sorriso no rosto. Vivo de títulos e cercado de livros, e amei tudo isso, mas um dia a paixão foi embora, e só me restou esse sorriso amargo que me leva à autodestruição. 

Nossa, como abdiquei das coisas! Foram horas estudando com o celular desligado, evitando contato. Mas, não sei, será que vou precisar ser mais que tudo isso que sou para que falsos amigos se aproximem e eu me sinta um pouco melhor por ter afastado a solidão (ainda que dentro da minha mentira)? E, talvez, sim, pois devo estar aceitando até os falsos amigos, uma vez que não há outra saída humana. Mas à nível de experiência é excelente, pois se comprova por A + B o quanto o interesse do ser humano "vai longe". 

Precisava mesmo era me encontrar na rua um dia desses e tomar aquele "sacode" de mim mesmo, sabe? Encontrar com aquele apaixonado pelo que fazia, apaixonado pela vida e cheio de vitalidade, disposto a abdicações e ambicioso, e ouvir dele tantas coisas quanto pudessemos lembrar, como p. ex.: "Seu idiota, você lembra quando você lutou por uma vaga em uma Universidade Federal? Você lembra que você deixou seus amigos, sua cidade, seus pais, à 350km, em busca do seu sonho? Você lembra, babaca, de quanto você se dedicou para não ser mais um naquela Universidade? Você lembra quantas noites você trocou o sono por uma mesa, um livro e uma luz acesa por horas e mais horas? E quando a OAB chegou, é capaz de lembrar das 13, 14, 15 horas seguidas de estudos? De quantas vezes você se trancou no quarto enquanto seus amigos festavam ou sua namorada precisava de você? Quantas vezes você chorou, pensou em desistir, murmurou que não aguentava mais, mas mesmo chorando você cravou os dentes em seus cronogramas e não só conseguiu tudo que queria, no tempo que queria, mas provou para si mesmo que era capaz de tudo. Decepções não matam, ensinam a viver. Levanta dessa cama, idiota. Você tem algum talento, você tem condições, você tem material, você tem um dom e você tem uma missão. Para de derramar lágrimas por quem não está nem aí para você, ou para um futuro que não é o seu. Nunca te faltou esforço, e na primeira vez em que você se perde quanto ao que quer, você pensa em abandonar tudo? NÃO. Não chegamos até aqui para você fazer isso. Agora vamos até o fim."

Nunca havia sentido a sensação de não saber onde se quer chegar. O problema dessa sensação é que quando nos sentimos assim, qualquer caminho torna-se caminho. Para quem não sabe onde quer chegar, qualquer caminho serve. Só preciso achar o amor, a paixão pelo que fazia, e que me movia. Quem sabe diminuir os remédios, praticar mais esportes, repensar a vida. A cidade e o comportamento, as pessoas que se dizem ao lado, e as falsas promessas. Nunca fui de dar muita atenção para o que diziam a meu respeito, aliás, nunca nem procurei saber. Pode chamar de desdém, mas nada mais útil. Começa por aí... 

Sabe... a solidão nem sempre foi ruim. Apenas quando má usada ela pode trazer consequências drásticas. Contudo, podemos ver claramente além quando se sabe usá-la. O silêncio, a escuridão, a realidade afinal. 

"(...)perdi minha alegria, anoiteci, roubaram minha esperança, enquanto você, solidária e positiva, apertava meu ombro com sua mão apesar de tudo viril repetindo reage, companheiro, reage, a causa precisa dessa tua cabecinha privilegiada, teu potencial criativo, tua lucidez libertária.

(...)e me lamurio até o sol pintar atrás daqueles edifícios sinistros, mas não se preocupe, não vou tomar nenhuma medida drástica, a não ser continuar, tem coisa mais autodestrutiva do que insistir sem fé nenhuma? 

Eu tive tanto amor um dia. Preciso tanto tanto, cara, eles não me permitiram ser a coisa boa que eu era.[...] Que aconteça alguma coisa bem bonita com você, ela diz, te desejo uma fé enorme, em qualquer coisa, não importa o quê, como aquela fé que a gente teve um dia, me deseja também uma coisa bem bonita, uma coisa qualquer maravilhosa, que me faça acreditar em tudo de novo, que nos faça acreditar em tudo outra vez, que leve para longe da minha boca esse gosto podre de fracasso, este travo de derrota sem nobreza, não tem jeito, companheira, nos perdemos no meio da estrada e nunca tivemos mapa algum, ninguém dá mais carona e anoite já vem chegando..

    

segunda-feira, 3 de março de 2014

Outra vez na mochila a esperança eu ponho,
Quanto tempo ainda temos para realizar os nossos sonhos?

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Sem correção ou erudição - a consciência que se presta em vão.

O sentido é não ter sentido. Você acredita em mim quando eu digo isso? Frases escritas em uma vez, sem borracha. Originalidade, eis sua essência. Escrever sem apagar. Torno a essa prática que levei a fervo por alguns meses, quiça anos, e tanto trouxe de alívio a um coração que batia em arritmia continua. 

Hoje trago dois parágrafos de um texto sem contexto e sem mediadores. Não escrevo a ninguém, e o que você encontra nesse ambiente nada mais é do que pensamentos soltos traduzidos em palavras, para que você possa (não) entender o que eu também não entendo. 

1. A INTRODUÇÃO MAIS MALFADADA DA HISTÓRIA

Andam me perguntando como estou, já não sei mais como responder. Cansei de "bem", "mal", "mais ou menos" ou "levando". Então criei um novo jeito de responder, apenas digo: "a vida continua". E que se passe a nova pergunta - outro clichê? Quem sabe. Não ouso arriscar. Nem minhas vírgulas são bem pontuadas, quanto mais aquilo que espero que aconteça. 

Pirei? Não sei. Talvez fizesse parte do processo evolutivo que tantas pessoas ditam o fim. O mesmo que nunca consegui prever ou estabelecer, sequer, em prognose póstuma. Gosto desse ambiente porque aqui não preciso acordar sorrindo todos os dias, vez que aqui nem sempre é dia, às vezes é noite, mas também pode ser só branco, ou só preto, ou só um pedaço de nada que passa como um raio e acerta um alvo que nunca foi alvo, pois o acaso ainda pode proteger quem andar distraído, bem como o fruto pode cair longe da árvore (essa descobri recentemente!)

Quem dera me ocorresse mais o acaso!

- "O que aconteceu?" (Já sou capaz de ouvir).
- Nada. Ressaca. 
- Bebeu? 
- Não, ressaca de uma introdução malfadada, e de um retorno a insanidade que aqui prestou serviços e me mostra que o Ser já não recebe mais o novo. Mas, mais que isso, ressaca de amores, ressaca dos afazeres, ressaca de consciência malacabada.
Ah! Se o novo me surgisse... O que Clarice denominava como novidade de espírito. Por que não?

Uma consciência já é demais, agora duas... Não há quem aguente. Brigam constantemente a respeito das minhas próprias vontades, e eu que já não estou no comando, me aprisiono no inconsciente, onde é mais seguro. 

Ainda assim me acham, Santo Deus! Que vão para o inferno, ou me deixem ir para lá sozinho, por que havemos de ir juntos? Só quero meu escudo, minha armadura, e tudo que me despi há momentos atrás, porque já deu de andar sem trajes. 

Antes capaz de bloquear um machado; hoje capaz de ser ferido pelo espinho de uma rosa qualquer, e diga-se lá que nem a cor importaria! (vermelha ou branca)

Olho tudo que já escrevi, e sequer rechaço. Mas não sei bem quem era quando escrevi. 

Creio que me ofenderia profundamente se me dissessem: "Nossa, tanto tempo e você continua o mesmo". Como assim o mesmo? As coisas mudam tanto que a pessoa que pecou no dia anterior já não é a mesma a ser punida no dia seguinte, e você me diz que justo eu continuo o mesmo? Então, por favor, se me encontrar, pode dizer que engordei ou emagreci tranquilamente - mas diga que algo mudou. Contudo, como ia dizendo, não rechaço os textos anteriores, cada um levou um pedaço de si em seu momento. Quem alçar tentar o absurdo de juntar as peças desse quebra cabeça que ninguém montou, fique à vontade. Mas julgue um contexto, embora seja impossível um texto definitivo. 

No final das contas, ainda não acabamos a introdução malfadada, talvez esse seja só mais um capítulo... E a vida continua.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

E Deus disse bem baixinho: "calma, vai dar tudo certo!"

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Quanto ao que está nas plaquinhas...


Sabe, acho que só Deus mesmo pra saber quantas vezes temos o caminho mais fácil e o mais difícil a se seguir, sabe? Como uma estrada com duas plaquinhas apontando as direções e os destinos, bem ali onde o caminho se divide: momento da escolha. Quantas vezes a gente poderia ter usado o sábado, o feriado ou as férias para sair e comprar uma cerveja ou sentar em uma mesa de bar, ou sei lá o quê? Ora, consideremos que metade do mundo acharia isso o mais sensato e normal a se fazer, e realmente, é um caminho da estrada. O outro caminho é pouco atraente, sempre. Confesso precisar ser um pouco "besta" e "prepotente" ao ponto de se meter nele. A questão é, algumas pessoas tem visão (quase que de "raio-x" mesmo). Porque somos e seremos eternamente responsáveis por onde andarmos nas horas em que o caminho se dividir, digo, pelas escolhas e direções tomadas. É tão mais fácil escolher uma estrada à outra - nela muitas vezes encontraremos nossos amigos, um churrasco, uma festa boa, ou até mesmo uma piscina agradável em um dia de muito calor -, e como é sempre Deus que dá a opção, nunca poderemos julgar tolos aqueles que escolherem trilhar nessa direção.

De outra forma, Deus também é quem dá o outro caminho, a outra opção. Ele, caprichosamente, camuflou com perfeição o começo dessa outra direção. Colocou lá muitas pedras, muros enormes, de modo que muitas pessoas não conseguem nem ver o final da estrada, aliás, acho que só se vê o final dessa estrada se você escolher trilhar por ela. Ele também te diz, todo dia, bem baixinho: "Pode ir, filho. Sem medo, se você cair, eu te dou ainda mais força pra você se levantar e continuar". Quem consegue ouvir, segue! Continua caindo, continua lutando, continua quebrando muros no murro e empilhando pedras, numa estrada de cacos de vidro, e muitas vezes, estamos lá, descalços, permitindo com que cada caco entre nos nossos pés.

Assim como todo carnaval tem seu fim, um dia chegamos ao nosso destino: ao ponto de chegada. Os dois caminhos, independente de qual, levaram seus mochileiros ao final da estrada. Aí é hora de olhar para trás, e com certeza, eu não sei como é o outro caminho, eu já escolhi o meu, você já escolheu o seu, ambos estamos trilhando ou já chegamos ao nosso destino. Sei que ao viajar, vi muitos castelos que foram construídos com pedras, e às vezes, conheci seus senhores, que me disseram o seguinte: "Tá vendo essas pedras empilhadas? Tá vendo esse castelo? Fui eu quem ergui, pedra por pedra. Estava viajando e encontrei elas no caminho. Tive muita dificuldade, mas enfim, olha esse castelo". E a cada castelo, eu me fortalecia mais, porque eu via que a minha pequena "casinha de cachorro", também feita com pedras, que ergui para escapar dos dias de tempestade, poderia um dia vir a ser um castelo. Eu só precisaria de mais tijólos dos muros que derrubo, mais daquelas grandes pedras que encontro no caminho, e um dia, depois de muito trabalho, esforço - consequências desse caminho -, eu teria meu castelo.

E quanto a Deus, continuo conversando com ele, ouvindo o que ele me diz. Ele, caprichosamente, vai me jogando as pedras que preciso, sempre de tamanho proporcional ao que posso carregar. Nunca é fácil, mas certo dia eu ouvi ele mesmo me dizer: "Missão dada, é missão cumprida!". E eu continuo: um dia, terei meu castelo. Quanto ao outro caminho, não sei, pergunte a eles...



Aos meus anjos da guarda, que estão aí de plantão até eu enfrentar essa 2a fase da OAB e meus, tão desejados, Concursos Públicos, o meu muito obrigado. Essa vitória está sendo construída por nós, e com certeza ela virá da melhor forma e no melhor tempo previsto na vontade de Deus. Porque é a ele que confio tudo, e peço, encarecidamente, que entre a minha vontade e a dele, sempre prevaleça a dele. Que Deus esteja com vocês, e vocês, sempre comigo. Amo todos vocês. 
Família, amigos, anjos... 


quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

(...)

Esfinge: Decifra-me, ou devoro-te. 
Clarice: Respondi a pergunta certa, e a esfinge não me devorou. 

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

A OPORTUNIDADE NÃO FAZ O LADRÃO, 2013 NÃO FAZ A OPORTUNIDADE.


A oportunidade não faz o ladrão, como também não deixa de não fazê-lo. Como consta no dicionário, oportunidade é: "qualidade do que é oportuno; ensejo; ocasião favorável." Pois bem, caros amigos, oportunos que somos e eternos responsáveis das escolhas que fazemos, paremos de adiar nossas conquistas. Hoje, mais do que nos outros dias do ano, e talvez mais do que nos outros anos, vejo o quanto de responsabilidade retenho em cima de cada escolha que fiz. Algumas boas, outras não tão boas, outras péssimas que serviram como aprendizado, e outras piores ainda que me levaram ao chão, sem me dar nada em troca.

Há um certo tempo, parei de acreditar em muitos valores. Individualista por falta de opção. Havia se perdido aquele "por quê" até nas maiores obviedades. Um choque! Mas no final das contas, a culpa é mais minha do que de quem devia ser: esperei demais, exigi demais, assim como faço comigo. Do contrário, acredito que há experiências de todos os tipos; dentre elas, estão as quais "só se pode passar sozinho". São tais experiências que fundamentam, em muito, os padrões de comportamento de uma pessoa, ou assim como dizia Schopenhauer: "as experiências são as peças que compõe o ser de uma pessoa". Cada um se forma, toma seu caminho, dribla seus obstáculos, e no final, quem somos nós para darmos algum tipo de conselho? Espero não parecer um tanto quanto pessimista demais, mas eu prefiro acreditar que hoje é só mais um dia. Assim como eu acredito na meritocracia, no plantio, na colheita, na continuidade, como acredito que hoje é só mais uma data da qual muitos veem uma falsa OPORTUNIDADE.

Meus amigos, a oportunidade pode se dar por todas as formas possíveis, menos por uma data. Não se agarrem a dias ilusórios. Todo carnaval tem seu fim, e enquanto sua vida não chega ao fim, eu desejo que seus minutos sejam orientados para um fim, que não seja o simples fim de sua vida terrena. Deseje mais do que Napoleão fez, mas saiba querer, e queira nos dias certos: principalmente nas segundas. Trabalhe, estude, ame, conserte erros e plante aquilo que julgar necessário, e saiba que as oportunidades vão, mas nunca retornam, no máximo, abrem espaço para que outra oportunidade possa surgir. Reparem no seu calendário, é só mais uma folha que se vira, é só mais um ano de tantos outros que você já viveu, é só mais um "fim do mundo" dentre tantos outros que você já sobreviveu. Por que não olhar para dentro? Achar aquele "quê" de sinceridade, aquele ponto em que há realmente uma vontade grande de mudança, e traçar uma estratégia para vencê-lo?

O tempo passa de muitas formas, e além do mais, é alento para inúmeros fins - cura principalmente - não usá-lo a seu favor, necessariamente é usá-lo contra. Não se apeguem ao dia, se apeguem ao espírito de renovação. Não comecem amanhã: olhe para trás e perceba que tudo já começou, e hoje você pode acatar a novas oportunidades e dar novos rumos, mas NÃO PORQUE É DIA 31 DE DEZEMBRO, mas porque você tem uma força impressionante dentro de si, e porque a vontade humana é a maior força de todas, como já dizia Einstein. Eu desejo, do fundo do meu coração, que vocês, realmente, mudem aquilo que não vos agrada. Mas não se esqueçam, a mudança não é advinda do calendário, mas é fruto da sua vontade.

Que Deus abençoe mais um ano na vida de vocês, e de todas suas famílias. 
E se for copiar, coloque entre aspas e cite o nome do autor. Não comece o ano plagiando, dá azar!

domingo, 8 de janeiro de 2012

Nossa Senhora das coisas impossíveis que procuramos em vão...
Vem... Soleníssima, soleníssima e cheia de uma vontade oculta de soluçar.
Talvez porque a alma é grande e a vida pequena,
E todos os gestos não saem do nosso corpo
E só alcançamos onde o nosso braço chega
E só vemos até onde chega o nosso olhar.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Reciclar a palavra, o telhado e o porão...
Reinventar tantas outras notas musicais,
Escrever o pretexto, o prefácio e o refrão.
Ser essência
Muito mais.
Ser essência
Muito mais.
A porta aberta, o porto acaso, o caos, o cais...

Se lembrar de celebrar muito mais...


(O Teatro Mágico)

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Eu queria querer-te amar o amor
Construir-nos dulcíssima prisão
Encontrar a mais justa adequação
Tudo métrica e rima e nunca dor
Mas a vida é real e de viés
E vê só que cilada o amor me armou
Eu te quero (e não queres) como sou
Não te quero (e não queres) como és

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Num deserto de almas também desertas, uma alma especial reconhece de imediato a outra - talvez por isso, quem sabe?
Mas nenhum deles se perguntou.
Não chegaram a usar palavras como especial, diferente ou qualquer outra assim. Apesar de, sem efusões, terem se reconhecido no primeiro segundo do primeiro minuto. Acontece porém que não tinham preparo algum para dar nome às emoções, nem mesmo para tentar entedê-las.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Já li tudo, cara, já tentei macrobiótica psicanálise drogas acupuntura suicídio ioga dança natação cooper astrologias patins marxismo candomblé ecologia, sobrou só esse nó no peito, agora faço o que? Não é plágio do Pessoa não, mas em cada canto do meu quarto tenho uma imagem de Buda, uma de mãe Oxum, outra de Jesusinho, um pôster de Freud, às vezes acendo vela, faço reza, queimo incenso, tomo banho de arruda, jogo sal grosso nos cantos, não te peço solução nenhuma. Hein? Claro que deve haver alguma espécie de dignidade nisso tudo, a questão é onde, não nesta cidade escura, não neste planeta podre e pobre, dentro de mim? Ora, não me venha com autoconhecimentos-redentores, já sei tudo de mim, tomei mais de cinquenta ácidos, fiz seis anos de análise, já pirei de clínica, lembra? Eu te olhava entupido de mandrix e babava soluçando, perdi minha alegria, anoiteci, roubaram minha esperança, enquanto você, solidária e positiva, apertava meu ombro com sua mão apesar de tudo viril repetindo reage, companheiro, reage, a causa precisa dessa tua cabecinha privilegiada, teu potencial criativo, tua lucidez libertária e bábábá bábábá. As pessoas se transformavam em cadáveres decompostos a minha frente, minha pele era triste e suja, as noites não terminavam nunca, ninguém me tocava, mas eu reagi, despirei, voltei a isso que dizem que é o normal, e cadê a causa, meu, cadê a luta, cadê o po-ten-ci-al criativo? Mato, não mato, atordôo minha sede com sapatinhas dos Ferro's bar ou encho a cara sozinho aos sábados esperando o telefone tocar, e nunca toca. Mas, eu quero dizer, e ela me corta mansa, claro que você não tem culpa, coração, caímos exatamente na mesma ratoeira, a única diferença é que você pensa que pode escapar, e eu quero chafurdar na dor desse ferro enfiado fundo na minha garganta seca que só umedece com vodca, me passa o cigarro, não, não estou desesperado, não mais do que sempre estive, nada de especial, não estou louco nem bêbado, estou é lúcido pra caralho e sei claramente que não tenho saída, ah não se preocupe, meu bem, depois que você sair tomo banho frio, leite quente com mel de eucalipto, gin-seng e lexotan, depois deito, depois durmo, depois acordo e passo uma semana a banchá e arroz integral, absolutamente santo, absolutamente puro, absolutamente limpo, depois tomo outro porre, bato o carro numa esquina ou ligo para o CVV às quatro da madrugada e alugo a cabeça dum panaca qualquer choramingando coisas tipo preciso-tanto-uma-razão-para-viver-e-sei-que-essa-razão-só-está-dentro-de-mim-bábábá-bábábá e me lamurio até o sol pintar atrás daqueles edifícios sinistros, mas não se preocupe, não vou tomar nenhuma medida drástica, a não ser continuar, tem coisa mais autodestrutiva do que insistir sem fé nenhuma?

Eu tive tanto amor um dia. Preciso tanto tanto, cara, eles não me permitiram ser a coisa boa que eu era.[...] Que aconteça alguma coisa bem bonita com você, ela diz, te desejo uma fé enorme, em qualquer coisa, não importa o quê, como aquela fé que a gente teve um dia, me deseja também uma coisa bem bonita, uma coisa qualquer maravilhosa, que me faça acreditar em tudo de novo, que nos faça acreditar em tudo outra vez, que leve para longe da minha boca esse gosto podre de fracasso, este travo de derrota sem nobreza, não tem jeito, companheira, nos perdemos no meio da estrada e nunca tivemos mapa algum, ninguém dá mais carona e anoite já vem chegando.


Morangos Mofados, Os Sobreviventes, Caio Fernando Abreu.

domingo, 3 de julho de 2011

Descobri que minha obsessão por cada coisa em seu lugar, cada assunto em seu tempo, cada palavra em seu estilo, não era o prêmio merecido de uma mente em ordem, mas, pelo contrário, todo um sistema de simulação inventado por mim para ocultar a desordem da minha natureza. Descobri que não sou disciplinado por virtude, e sim como reação contra a minha negligência; que pareço generoso para encobrir minha mesquinhez, que me faço passar por prudente quando na verdade sou desconfiado e sempre penso o pior, que sou conciliador para não sucumbir ás minhas cóleras reprimidas, que só sou pontual para que ninguém saiba como pouco me importa o tempo alheio. Descobri, enfim, que o amor não é um estado de alma e sim um signo do zodíaco.

quarta-feira, 25 de maio de 2011